Já faz bem tempo eu estava refletindo sobre a presença da religião na arte. Pra minha surpresa em uma destas viagens me pego lembrando da musica da novela Roque Santeiro, “Deus e o Diabo na terra…” logo em seguida lembro do titulo do filme do cineasta Glauber Rocha, “Deus e o Diabo na terra do sol”. Mas que diabos meu deus, pra que tanta santidade e profanação?
Na minha concepção não existe profanação alguma e nenhuma santidade, mas é interessante pensar na presença do sagrado e do profano na comunicação ao longo dos anos. Primeiro a bíblia nos traz uma “mensagem de deus” e em alguns trechos mensagens do “Próprio”, um dos apelidos do cão ou diabo se preferirem. Nossa educação é muito arraigada na religiosidade, talvez pelo fato de termos forte influencia da cultura religiosa da Europa, visto que o Brasil é um pais católico.
Vamos deixar as reflexões de lado e vamos aos fatos. Primeiro vamos pegar as iluminuras. Estas vinham recheadas de representações do sagrado e do profano, tudo bem, eram feitas por padres. Então vamos pegar a arte renascentista, esta colocou Deus e o Coisa Ruim belamente representados na tela. E do renascentismo aos dias de hoje vamos fazer um breve levantamento do que esta religiosidade artística acarretou.
Iconograficamente falando, temos varias criações em design gráfico que fazem referencia direta a alguma arte renascentista ou de qualquer outra vertente.
No cinema temos a presença de Diabo e Deus (mudando a ordem pra variar) fazendo referencia a bíblia e a obras da literatura como Fausto de Goethe, a velha historia de um homem que vende a alma ao Cão miúdo. Nos filmes de western por exemplo, os caras mais temidos possuem algum nome ou acessório que nos lembre do Criador ou do Trapizumba, por exemplo, Sartana, lembra Satanás, Django carrega um caixão que lembra a morte que por sua vez traz terror a quem teme Deus e o Diabo. Clint Eastwood no filme Um estranho sem nome, paga de diabo na seqüência final do filme. E grandes atores interpretaram o diabo, Al Pacino, Robert De Niro, Luis Melo no auto da compadecida. E Deus já foi representado por Allanis Morisset, Morgan Freeman, Antonio Fagundes, afinal Deus é Brasileiro.
E a musica não pode ficar pra trás, pois esta é recheada a ponto de transbordar da presença dos dois, por exemplo, Raul Seixas; o cara fez um monte de musicas tratando de temas religiosos colocando Deus como seu psicologo (planos de papel) e o Diabo como pai do rock e como alvo de seu desejo “um pacto com satã ainda quero tentar”, na musica paranóia dois. As bandas de rock não vou comentar por que senão iria escrever uma segunda bíblia. No blues também existe uma forte relação com o cão, sobretudo nas letras de Robert Johnson, dizem que ele foi na encruzilhada e isto pode ser supostamente verdadeiro pela letra de Crossroads Blues.
Agora fico pensando, se não existisse tanto de Deus e tanto de Lúcifer, o trabalho do designer gráfico, cineasta, musico e romancista talvez não teria tanta riqueza. O misticismo sempre moveu a humanidade e ele é necessário no processo criativo, conhecer os signos ditos sagrados e não sagrados.
